Como garantir o sucesso na instalação do sistema fotovoltaico

Confira as dicas do Evandro Cahino e do Lucas Montenegro, fundadores do Café Solar, para garantir que todos os processos da sua instalação sejam feitos com sucesso


Instalação do sistema fotovoltaico

O sucesso na instalação de um sistema fotovoltaico não depende apenas da qualidade dos equipamentos utilizados. Ele exige conhecimento, habilidade, planejamento e uma série de cuidados dos quais a equipe responsável deve se atentar. 

É importante conhecer cada processo para garantir que tudo saia conforme o esperado. Os engenheiros de energia Evandro Cahino e Lucas Montenegro, que juntos são responsáveis pela página do Café Solar, explicam sobre quais são os principais passos para a instalação de uma usina solar, e o que a equipe deve se atentar para garantir a qualidade dela.

Os processos de instalação do sistema fotovoltaico 

Evandro Cahino afirma que a primeira etapa para a instalação do sistema fotovoltaico é a chegada dos equipamentos e aprovação do sistema. Com o projeto já aprovado, é possível dar início à estruturação da usina, que começa com a fixação dos perfis. Os módulos são sempre fixados nos perfis de alumínio e a depender do tipo de telhado ou do solo, haverá diferentes estruturas. 

Caso a equipe esteja trabalhando com fibrocimento, é preciso fazer uma demarcação do local em que serão inseridos os parafusos prisioneiros. É necessário dimensionar todas as distâncias entre os ganchos e os parafusos. Bem como, repassar essas informações para o instalador.

Uma vez iniciados os processos das estruturas e a fixação dos perfis, é possível fazer a inclinação dos módulos, de forma bem alinhada.  Logo depois, fixá-los nos perfis e inserir os grampos intermediários e grampos finais. 

O próximo passo é associar os módulos, ligá-los em série, e seguir para a parte elétrica da instalação. É quando os eletrodutos são encaminhados para pegar a saída da corrente contínua, chegando ao inversor, e o cabo de aterramento. Tanto nas estruturas, como nos locais específicos dos módulos.

Após isso, o inversor é fixado na parede com a ajuda de um suporte. Desse modo, são feitas as ligações da corrente contínua, sempre de acordo com o que foi projetado. 

Como garantir o sucesso na instalação

Na visão de Lucas Lucas Montenegro, as equipes devem sempre seguir as normas reguladoras, fundamentais para que se possa trabalhar corretamente. Bem como, utilizar adequadamente os equipamentos de proteção individual (EPI), pois muitos instaladores não utilizam o capacete, as luvas e ferramentas corretas. 

Para o engenheiro, a primeira etapa da instalação é estar regulamentado, e utilizar as vestimentas e ferramentas adequadas. É preciso ter todo um conhecimento, pois o trabalho com energia não é simples e exige cuidados. Não podendo subestimar, em hipótese alguma, a necessidade do uso do EPI. 

Ele chama atenção ainda para a importância da visita técnica, para olhar o telhado, analisar o sombreamento e outras questões. E frisa a importância da comunicação com a equipe de instalação, pois a abertura é fundamental, sendo uma oportunidade de crescimento e conhecimento para ambos os lados, engenheiros e instaladores. 

A grande chave para se ter uma instalação de sucesso, segundo Evandro Cahino, está na qualidade do projeto. Ele é muito importante para o instalador, portanto, é necessário trazer uma riqueza de detalhes no projeto, e ter sempre uma planta no local para uma consulta.

O acompanhamento do engenheiro é importante, gerando a necessidade de um canal de comunicação fácil entre ele e a equipe de instalação do sistema fotovoltaico.

Se existe um projeto bastante detalhado, com uma boa qualidade, é possível tomar decisões importantes da obra e automatizar os processos. Desse modo, a instalação passa a ser agilizada, pois o instalador não precisará parar em determinados momentos para pensar sobre como realizar determinados processos. Além de haver uma redução de riscos e custos.

Os cuidados necessários após a entrega da usina

Lucas Montenegro explica que é fundamental a disponibilização de um relatório mensal de geração aos clientes. Muitas empresas da área possibilitam o acesso dessas informações. Quando a instalação do sistema fotovoltaico ocorre, é possível acompanhar a performance da usina, então é importante sempre monitorar e passar um feedback mensalmente.  

Com três ou quatro meses, é possível enxergar possíveis falhas e realizar uma visita técnica, para saber o que houve. Bem como, fazer uma manutenção. A comunicação é fundamental após a entrega da usina, na visão de Lucas.

Para Evandro Cahino, o pós-venda da energia solar é diferente de outros bens ou serviços, pois você não precisa ter um assessoramento contínuo. Portanto, esse monitoramento é fundamental para evitar uma perda na geração, o que causaria um impacto significativo em grandes sistemas. 

Ele alerta para a importância de estar atento, especialmente para quem possui mais de uma unidade consumidora, às cartas que a concessionária manda, informando sobre a geração, consumo e créditos excedentes.

O monitoramento permite a realização de manutenções preventivas, que evitam problemas futuros. Ao observar a curva de geração, é possível enxergar se há alguma falha no sistema fotovoltaico do cliente. Também é fundamental instruir a esse cliente como ele deve acompanhar a geração da própria usina, até mesmo pelo aplicativo do inversor.

Como escolher o fabricante certo de inversor para o sistema fotovoltaico do seu cliente

Para uma pessoa que está entrando no mercado fotovoltaico, a equipe do Café Solar sempre recomenda os estudos da Greener. São pesquisas detalhadas, que trazem um panorama bastante importante para o integrador, com um ranking das principais distribuidoras utilizadas. Portanto, a princípio, é necessário fazer estudo de mercado, até mesmo para os próprios clientes. 

Evandro Cahino dá duas dicas importantes:

1. Trabalhar com variedade de fornecedores

O engenheiro de energias afirma que não se trata de negociar diretamente com essas empresas, mas sim com distribuidoras que vendem kits. É necessário ter diversos contatos diferentes, pois elas trabalham com pronta-entrega, mas é normal que ocorra uma falta de módulos, às vezes. Principalmente aqueles que são mais utilizados no mercado. É importante ter cadastro com diferentes distribuidoras, que possuem parcerias com diferentes fabricantes.

Algumas delas não trabalham com micro inversores e isso pode te deixar na mão, principalmente porque um cadastro em uma nova distribuidora demora dois ou três dias para ser aprovado. O que gera uma demora ainda maior para o cliente receber um orçamento. Isso é ruim, porque ele sempre busca analisar e comparar o produto/serviço com outras empresas do mercado.

2. Saiba identificar a qualidade dos inversores

É importante não levar em consideração apenas o preço na hora de escolher um fornecedor de inversor. Pois cada equipamento desse tem diferentes qualidades e custos. É preciso ver o custo-benefício para os seus clientes e conhecer bem o produto com que se vai trabalhar.  

Lucas Montenegro acrescenta que é importante ter atenção para o local em que o centro de distribuição fica localizado. Isso pode interferir na negociação com o cliente, por questões de prazo e preço, podendo ajudar ou prejudicar. 

As novidades do mercado solar para 2021

A equipe do Café Solar afirma que um dos pontos mais interessantes com relação às novidades do mercado, está na evolução das potências dos módulos. Há um tempo, eram bastante utilizados os módulos de 335w e 350w. Hoje, as empresas buscam pelos de 450w, com as distribuidoras. 

Essa mudança ocorreu em um espaço de tempo de um ano e meio. O mercado está acompanhando o crescimento das instalações. As empresas estão procurando as inovações das tecnologias referentes às potências dos módulos. 

Um módulo bifacial, por exemplo, possui a parte inferior produzida com material de vidro. Isso faz com que haja uma geração com a radiação direta na parte superior e um aproveitamento na inferior, com a radiação que chega através de uma reflexão do sol. Ele já é uma realidade no mercado e é cada vez mais presente.

Outras tecnologias de módulos também chegarão. Hoje, são instalados os módulos de silício, monocristalinos ou policristalinos. Contudo, em breve, as células solares multijunção irão chegar com mais força. 

Muitas empresas também estão começando a investir na produção de inversores. Isso vai acontecer com uma maior frequência daqui há um tempo, com novas fabricantes de peso entrando no mercado fotovoltaico. Além disso, outras novidades tendem a movimentar o setor ao longo dos próximos anos:

Sistemas híbridos

Existem muitas tecnologias que já estão presentes nos Estados Unidos, na Europa e Ásia, mas que acabam sendo uma novidade aqui. Um exemplo, são os equipamentos do sistema híbrido, que fazem a geração fotovoltaica e o aquecimento térmico. Essa é uma novidade para o Brasil. 

Baterias

A questão das baterias se trata de um assunto promissor, com novos lançamentos. Embora o sistema off-grid ainda não seja visto com bons olhos, pelas questões de qualidade e preço, em um curto espaço de tempo isso irá mudar no mercado. 

As baterias são importantes, porque a rede elétrica possui um limite. A hora de maior geração da energia solar fotovoltaica é de meio-dia, mas o pico de consumo é durante a noite nas residências.

Hoje, a Geração Distribuída ainda é mínima e não possui um grande impacto na rede. Mas isso acontecerá com o tempo e as baterias serão necessárias para retirar essa defasagem.

Carros elétricos 

Os carros elétricos também entram como uma novidade vinculada ao mercado solar. Isso porque, eles necessitam de energia para o carregamento.

A população brasileira já está insatisfeita com o preço da conta de energia elétrica, mesmo quando o consumo é básico para o dia a dia. Nesse sentido, o sistema fotovoltaico entra como um aliado direto, trazendo uma grande economia para os proprietários desses automóveis.  

De modo geral, é importante ressaltar que há um grande investimento em pesquisa e desenvolvimento na área da energia solar fotovoltaica. Portanto, o mercado tende a facilitar o aumento das potências e baixar os custos. 

De 2015 (quando ocorreu a última revisão da Resolução 482) para cá, é possível observar uma diferença na curva de custo. Já houve uma grande queda nos preços e isso tende a continuar acontecendo. Sendo assim, a Geração Distribuída tende a ser mais democratizada.

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