Como escolher o melhor inversor para um sistema fotovoltaico

O especialista de produtos da Sungrow, Isaque Guanabara, dá dicas importantes sobre como escolher o inversor certo para a instalação em um sistema fotovoltaico e como preservar esse equipamento, para prolongar sua vida útil.


Como escolher o melhor inversor para um sistema fotovoltaico
Foto/reprodução: Sungrow

Uma dúvida frequente entre integradores, é sobre como escolher o melhor inversor para disponibilizar ao cliente final, na venda do sistema fotovoltaico. Esse equipamento é essencial, porque ele converte a energia gerada pelos painéis solares, da corrente contínua (CC) em corrente alternada (AC).

Portanto, é fundamental buscar os melhores fornecedores e se atentar ao tipo de inversor ideal para cada sistema fotovoltaico. Outra questão importante é entender quais são os cuidados que a empresa deve ter durante a instalação e as orientações que devem ser repassadas para o cliente final. 

Tudo isso interfere na vida útil do equipamento e deve ser levado em consideração para evitar dores de cabeça futuras. Isaque Guanabara, especialista de produtos da Sungrow, nos deu algumas dicas valiosas sobre o assunto. 

O que deve ser considerado na escolha de um inversor 

O Isaque Guanabara atua desde 2018 na Sungrow, uma multinacional chinesa, líder do mercado global, que opera no nicho de inversores de pequeno e grande porte e está presente em 60 países. Ele é responsável pela linha de inversores de 2.0 kW a 250 kW.

Para o especialista, é importante lembrar que as vendas do mercado solar são para o futuro e não para o presente. Portanto, é feito um cálculo de investimento, levando em consideração 25 anos de vida útil do sistema fotovoltaico.

E um dos primeiros pontos para se questionar ao fazer a aquisição de um inversor, é o período de duração dele. Pensando nisso, ele repassa duas dicas importantes para tomar a decisão certa:

  1. Estudo de mercado

Para evitar a má escolha desse equipamento, ele afirma que o primeiro passo dado pelo integrador deve ser a pesquisa do mercado internacional. Principalmente, atentando ao posicionamento do fabricante a nível mundial, porque outros países já estão mais evoluídos quanto às exigências do mercado de energia solar.

A Austrália, por ter uma grande adesão do público residencial, se torna referência, por exemplo. Na visão de Isaque, se um fabricante possui uma grande adesão a nível global, é provável que ele ofereça bons produtos. 

Outro ponto extremamente importante é saber sobre a solidez financeira da empresa. Bem como, estudar empresas que trabalham em usinas de grande porte. 

  1. Garantia e pós-venda

É fundamental analisar a garantia que o fornecedor oferece, para saber se daqui há 15 ou 20 anos, quando o cliente final necessitar de uma manutenção nos inversores, haverá um suporte da empresa para ajudar, porque ele não pode ficar na mão. 

As vendas por indicação são a chave do sucesso para muitas integradoras. Tendo isso em vista, é necessário garantir que o cliente esteja satisfeito, pois é desse modo ele se sente seguro para indicar a empresa aos amigos.

Para garantir o sucesso na experiência do cliente, é necessário o atendimento no pós-venda. É preciso acompanhá-lo, realizar manutenções preventivas e garantir que está entregando aquilo que prometeu. É sempre importante deixar claro que você está entregando o que foi proposto.

Ao deixar o cliente seguro, você demonstra que, caso ele precise de apoio ou passe por dificuldades, sua empresa vai estar presente. É essencial atentar para a garantia e o pós-venda oferecidos pelo fornecedor, pois ajuda no processo de assistência, desenvolvendo um bom relacionamento com o cliente.

Os requisitos técnicos dos inversores fotovoltaicos para garantia de uma boa eficiência

Isaque Guanabara considera que os inversores, olhando de forma preliminar, parecem ser semelhantes, mas é preciso analisar pontos que poucas pessoas observam: 

Primeiro:

Não basta verificar somente a eficiência máxima do inversor, porque ela é um ponto da curva, de um carregamento que vai de 0 a 100% daquele equipamento. Durante o dia, o inversor vai gradativamente aumentando o seu carregamento, até chegar a 100%. Na medida que a radiação começar a diminuir, acontece o inverso, até ocorrer o desligamento no final do dia. 

Desse modo, é importante analisar qual a curva de eficiência dos inversores em todos os pontos da curva. Não adianta ter uma eficiência máxima em um único momento.

Comumente, a eficiência alta na grande maioria dos inversores está entre 30% a 40% do carregamento. Mas o inversor vai passar um curto espaço de tempo nele. O maior período será entre 80% a 100% e então é preciso se perguntar qual vai ser a eficiência nesse ponto.

O carregamento é a potência do inversor. Pensando em um inversor de 10 kW , 30% de carregamento é 3.0 kW de potência de saída. 100% de carregamento é quando ele está trabalhando na sua potência máxima, nesse exemplo. Entenda qual a curva e qual o comportamento da eficiência em todos os carregamentos do seu inversor. O ideal é que ele tenha uma alta potência em toda essa curva e não apenas em um único ponto. 

Segundo:

A eficiência varia de acordo com a tensão de entrada. E a tensão de entrada vai variar de acordo com a formação da sua string. Isaque destaca que a Sungrow coloca em todos os seus datasheet, três níveis de tensão (baixa, média e alta). Isso permite saber qual o comportamento do inversor, de acordo com os três níveis de tensão de entrada. 

Terceiro:

A desclassificação por temperatura do inversor. Alguns inversores começam a desclassificar a potência de saída para se intensificarem mais rapidamente, no momento em que atingem de 30 a 35 graus de temperatura ambiente. A partir do momento em que ele está reduzindo a potência de saída, há uma perda na produção de energia, pois o módulo pode produzir, mas o seu inversor não consegue colocar na rede. 

Entenda se o inversor que você está fazendo aquisição está preparado para a temperatura de trabalho onde ele vai ser instalado. Ele precisa estar projetado para cenários exigentes, de alta temperatura, bem como, de alta salinidade, por exemplo. 

Às vezes, quando um projeto de energia fotovoltaica vai ser desenvolvido, o projetista se atenta a comprar uma estrutura resistente à corrosão. É preciso se perguntar qual a resistência corrosiva do inversor, que é metálico e vai estar exposto ao mesmo ambiente da estrutura. Ambos sofrerão com o mesmo problema.

Os cuidados que devem ser tomados para garantir a durabilidade de um inversor

O inversor, de uma forma geral, não exige grande manutenção no seu dia a dia de operação. Mas, um primeiro ponto que poucas pessoas se atentam, é quanto à leitura do manual do produto. 

Lá, é possível ver que há um espaçamento mínimo que deve ser respeitado na instalação dos inversores. Esse é um ponto que precisa ser alinhado com o cliente final. Não adianta esse cliente dizer que quer instalar dentro do armário, para não ver o inversor, por exemplo. Isso não pode, porque ele não vai ter uma troca de calor eficiente. O que vai ocorrer é uma desclassificação de potência e prejudicar a vida útil do equipamento.

É preciso estar atento a essas informações, para orientar o cliente a instalar no local adequado. Outro ponto, é que não é recomendado que os inversores sejam instalados em áreas de convivência de pessoas, principalmente de crianças.

Se o cliente falar que quer instalar o inversor na sala, é preciso informar isso. Mesmo que inversores residenciais, como os da Sungrow, não utilizem ventiladores para não incomodar com o nível de ruído, ele ainda vai existir, por mais que seja mínimo, e haverá um incômodo. 

Também existe a questão da segurança:

“No passado, houve um caso em que o cliente teve o inversor instalado dentro da sua sala e quando abria a porta, se não tivesse cuidado, a maçaneta podia bater na tampa do equipamento. Fora que os condutores, tanto de corrente contínua, como de corrente alternada, saiam do inversor e iam para uma canaleta, passando pelo chão para irem até os módulos fotovoltaicos e para o quadro de distribuição. E na casa do cliente tinha criança pequena, que podia se pendurar nos condutores. É um grande risco”, explica Isaque Guanabara.

É de responsabilidade de quem está instalando e também do fabricante, passar essas orientações para o cliente. É preciso tomar muito cuidado, principalmente com os locais de instalação. Não é recomendado que os inversores sejam instalados em áreas onde há materiais explosivos e inflamáveis. Bem como, que eles sejam instalados em paredes de madeira, justamente por ser um material inflamável. 

Sempre entre em contato com o fabricante, para que ele possa te passar orientações para seguir com a instalação. Caso você precise instalar em um espaçamento interior ao que foi instruído no manual do produto, converse com o fabricante para definir qual a melhor solução para o seu caso. Mas nunca assuma esse risco, para que você tenha uma instalação segura e daqui há 15 ou 20 anos ela esteja intacta. 

É importante que seja feita uma checagem de torque, a cada seis meses ou anualmente, porque o inversor vibra e acaba perdendo o torque das conexões. Faça uma termografia, e a limpeza dos ventiladores, quando houver. São coisas simples e rápidas, mas necessárias.

4 comentários em “Como escolher o melhor inversor para um sistema fotovoltaico”

  1. Bom dia !
    Tenho um Inversor Sungrow SG8K3-D e que vem apresentando erro 100. Alta corrente CA .
    Poderia me informar o porque desse erro que está acontecendo no meu Inversor?
    Aguardo seu retorno.
    Obrigado!

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