Domine a limitação de potência injetável e evite reprovações de projeto aplicando práticas técnicas atualizadas e conformes às normas da ANEEL.
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Nos últimos anos, a geração distribuída vem crescendo de forma acelerada em todo o mundo. Em 2025, o Brasil ultrapassou a marca de 28 GW de potência instalada. Essa expansão trouxe novas exigências técnicas e regulatórias para integradores e concessionárias, especialmente quanto à estabilidade da rede elétrica. É nesse contexto que a limitação de potência injetável (LPI) se tornou um tema central para quem projeta sistemas fotovoltaicos conectados à rede.
Com a Resolução Normativa nº 1.134/2025, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) consolidou os procedimentos para aplicação da LPI, estabelecendo parâmetros claros para limitar a energia exportada. Isso impacta diretamente o modo como os integradores dimensionam, homologam e monitoram seus sistemas.
Mais do que uma exigência burocrática, a LPI representa uma adaptação técnica necessária para garantir segurança operacional, reduzir reprovações e preservar a viabilidade econômica dos projetos.
A limitação de potência injetável é um controle que restringe a quantidade de energia que um sistema solar pode injetar na rede. Mesmo que o inversor tenha capacidade para gerar mais, ele passa a obedecer a um teto determinado pela distribuidora. Essa limitação pode ser configurada de forma fixa (um valor constante de potência máxima) ou dinâmica (variável conforme horário, tipo de dia ou carga da rede).
O objetivo é evitar a inversão de fluxo de potência, situação em que a energia gerada excede o consumo local e retorna pela rede de distribuição, causando aumento de tensão, sobrecarga em transformadores e instabilidade no fornecimento.
Na prática, a LPI permite que as distribuidoras conectem novos sistemas sem precisar realizar reforços caros na infraestrutura. Para o integrador, entender esse conceito é fundamental para evitar retrabalhos e garantir que o projeto seja aprovado na primeira submissão.
Até 2024, a aplicação da LPI variava bastante entre concessionárias. Algumas distribuidoras já exigiam relatórios de injeção controlada, enquanto outras analisavam caso a caso. A publicação da REN nº 1.134/2025 padronizou esse processo em todo o país, estabelecendo regras para limitar a potência injetável no ponto de conexão e exigindo comprovação técnica de conformidade.
A resolução complementa dispositivos da Lei nº 14.300/2022, o Marco Legal da Geração Distribuída, que também trouxe impactos econômicos relevantes. A partir de 2025, os novos sistemas já pagam 45% da Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição (TUSD Fio B) sobre a energia injetada, reduzindo o valor dos créditos de compensação e tornando o autoconsumo local ainda mais importante.
Outra atualização relevante foi a manutenção do procedimento fast track para sistemas de até 7,5 kW, em que o estudo de inversão de fluxo pode ser dispensado quando a instalação é de autoconsumo puro. Essa medida tem permitido a continuidade da geração de pequeno porte com menos burocracia.
Por fim, distribuidoras como Neoenergia, CPFL e Cemig atualizaram em 2025 seus manuais técnicos, exigindo que integradores apresentem documentação detalhada do Sistema de Controle de Redução de Potência Injetável (SCRPI). Esse documento comprova que o sistema foi configurado para respeitar os limites impostos e segue os padrões do PRODIST.
A LPI afeta diretamente a viabilidade financeira dos projetos fotovoltaicos. Quando o sistema é obrigado a limitar a injeção de energia, o cliente deixa de converter parte da geração excedente em créditos de compensação. Isso reduz a economia mensal e aumenta o tempo de retorno do investimento.
Em condições ideais, um sistema de 10 kW pode ter payback em cerca de quatro anos. Com limitação de exportação e cobrança parcial do Fio B, esse prazo pode se estender para cinco ou seis anos, dependendo da severidade da restrição e da tarifa local.
Para o integrador, o impacto também é estratégico. Projetos reprovados por falta de controle de exportação geram atrasos, retrabalho e perda de credibilidade. Além disso, o profissional precisa estar preparado para oferecer soluções técnicas mais completas, como inversores com função de export limit, controladores inteligentes e, em alguns casos, sistemas híbridos com baterias para absorver o excedente localmente.
A limitação de potência não inviabiliza o projeto, mas muda a forma de pensar o dimensionamento. Hoje, o integrador que domina essa etapa sai na frente, pois entende que o foco deixou de ser gerar o máximo possível e passou a ser gerar com eficiência e conformidade.
Projetar sistemas dentro das novas regras exige uma visão mais integrada entre engenharia elétrica, automação e análise de consumo. O primeiro passo é verificar o limite de injeção permitido na fase de viabilidade, solicitando à distribuidora a análise de acesso com base na potência instalada e no ponto de conexão.
Com essa informação em mãos, o integrador deve escolher inversores compatíveis com controle de exportação, preferencialmente modelos homologados pela concessionária e com suporte nativo à função LPI. Em sistemas de maior porte, o uso de controladores SCRPI dedicados é essencial, pois garantem o ajuste dinâmico da potência injetada e evitam ultrapassagens acidentais.
Durante o dimensionamento, é recomendável realizar simulações de autoconsumo, avaliando o perfil de carga do cliente e o impacto financeiro da limitação. Essa análise permite ajustar o tamanho do sistema para otimizar o retorno econômico mesmo com restrição de exportação.
Na etapa de homologação, o projeto deve incluir o relatório técnico de limitação de injeção, contendo o modelo de inversor, a configuração do limite e a documentação exigida pela concessionária. Integradores que utilizam o SolarZ CRM conseguem padronizar essa documentação, centralizar históricos de projetos e manter o controle completo do processo de homologação, reduzindo erros e prazos de resposta.
A limitação de potência injetável obriga o mercado a migrar de uma lógica de gerar o máximo para uma lógica de gestão energética inteligente. Isso não é uma limitação, mas uma oportunidade para empresas que operam com visão técnica e de longo prazo.
Algumas estratégias práticas incluem:
Integradores que utilizam o SolarZ Monitoramento têm acesso a dados detalhados de geração e consumo, o que facilita o acompanhamento do desempenho das usinas e o diagnóstico de eventuais desvios na potência injetada.
Essa visibilidade garante que o integrador consiga identificar variações de desempenho, agir preventivamente e manter a operação dentro dos padrões técnicos exigidos pelas distribuidoras.
O cenário regulatório caminha para um modelo mais equilibrado entre consumidores, distribuidoras e geradores. A cobrança gradual do Fio B, a limitação de subsídios e as discussões sobre a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) indicam que a exportação de excedentes será cada vez menos vantajosa.
Ao mesmo tempo, a abertura do mercado livre de energia prevista para os próximos anos deve aumentar a competitividade, e o valor da energia injetada pode variar conforme horário e região. Nesse contexto, o integrador que domina a LPI, projeta com foco em eficiência e adota sistemas de controle avançados terá vantagem técnica e comercial.
A tendência é clara: o futuro da energia solar está no autoconsumo local, na automação e no controle inteligente da geração. A SolarZ acompanha essa evolução de perto, oferecendo soluções que integram engenharia, gestão e operação em um único ecossistema.
A limitação de potência injetável deixou de ser um obstáculo e se tornou parte essencial do amadurecimento do mercado solar brasileiro. Entender como aplicá-la é o que diferencia os integradores comuns de empresas preparadas para crescer em um cenário mais técnico e competitivo.
Projetar dentro das regras da rede não é apenas uma questão de conformidade, mas de profissionalismo, eficiência e sustentabilidade de negócios.
A SolarZ apoia integradores em todas as etapas dessa jornada, com tecnologias que simplificam a gestão técnica e comercial de projetos solares.