Tecnologia
24/2/2026

Módulos N-type, HJT e TOPCon: qual a diferença?

Conheça as diferenças entre os módulos N-type, TOPCon e HJT. Descubra também como novas tecnologias de células fotovoltaicas impactam seu faturamento em 2026.

Módulos N-type, HJT e TOPCon: qual a diferença?

O mercado fotovoltaico brasileiro vem passando por uma transição nos últimos anos: o fim da hegemonia absoluta das células P-type (PERC). Para o integrador, essa mudança não é apenas estética ou de marca, mas sim uma evolução na física do silício que altera diretamente o faturamento da empresa e a satisfação do cliente final.

Hoje, vender um sistema exige profundidade técnica. O cliente quer saber por que o seu orçamento, com módulos de nova geração, apresenta uma estimativa de geração superior a longo prazo, mesmo que o custo por Wp (Watt-pico) seja ligeiramente maior.

A superioridade física das células fotovoltaicas N-Type

Para explicar a diferença para o seu cliente, você precisa entender a base. A célula tradicional (P-type) é dopada com boro. Quando essas células são expostas à luz, ocorre o fenômeno conhecido como LID (Light Induced Degradation), uma reação entre o boro e o oxigênio que causa uma perda imediata de eficiência nas primeiras horas de operação.

Os módulos fotovoltaicos N-Type, por outro lado, utilizam o fósforo no processo de dopagem.

Como o fósforo não reage com o oxigênio da mesma forma que o boro, a degradação inicial é drasticamente reduzida. Isso significa que a "pureza" eletrônica do painel N-type permite que os elétrons fluam com menos resistência, resultando em uma vida útil mais longa e uma performance superior mesmo em condições adversas.

células fotovoltaicas N-Type
Imagem: Reprodução

Um porém é a complexidade de fabricação dessas células do tipo N. Atualmente, diversos fabricantes internacionais estão investindo em pesquisa e desenvolvimento para tornar todo o processo mais simples, com menor custo e melhor performance de resultados.

O domínio da tecnologia TOPCon no mercado solar atual

A sigla para Tunnel Oxide Passivated Contact representa a tecnologia que herdou a coroa do PERC. A grande sacada do TOPCon foi a introdução de uma camada de óxido de túnel extremamente fina, seguida por uma camada de silício policristalino.

Na prática, essa arquitetura "aprisiona" melhor os elétrons, reduzindo as perdas por recombinação. Para o seu pós-vendas, isso se traduz em um sistema que entrega o que prometeu no projeto por muito mais tempo.

tecnologia TOPCon
Imagem: Reprodução

De acordo com especialistas, os painéis TOPCon apresentam um ganho de energia de 5% a 6% superior ao dos painéis PERC. Além disso, demonstram melhorias na atenuação no primeiro ano e no coeficiente de temperatura, bem como um desempenho otimizado em condições de pouca luz, resultando em uma geração de energia de ciclo de vida completo superior à tecnologia PERC.

Para muitos, essas características tornam os módulos TOPCon a escolha padrão quando se busca o melhor custo-benefício em telhados com espaço limitado.

A arquitetura de alta performance das células fotovoltaicas HJT

Se o TOPCon é a evolução, a Heterojunção (HJT) é a disrupção.

Aqui, não falamos apenas de uma camada extra, mas de uma célula que combina o silício cristalino tradicional com camadas de silício amorfo (película fina).

Essa combinação cria uma barreira de energia que minimiza as perdas eletrônicas a níveis baixíssimos. O HJT possui o melhor coeficiente de temperatura do mercado atual (cerca de -0,26%/°C).

células fotovoltaicas HJT
Imagem: Reprodução

Em um país tropical como o Brasil, onde o telhado pode passar facilmente dos 65°C, um módulo HJT continua gerando com alta performance enquanto os módulos convencionais sofrem grandes perdas de tensão.

Impactos técnicos no comissionamento de novas usinas

Mudar para módulos N-type exige atenção redobrada da sua equipe de engenharia durante o comissionamento e a vistoria técnica. As características elétricas mudaram e os detalhes fazem a diferença na margem de lucro.

  • Tensões de operação mais elevadas: Módulos HJT e TOPCon costumam trabalhar com tensões de circuito aberto (Voc) maiores. Isso pode reduzir o número de módulos por string em inversores de baixa tensão, exigindo um novo cálculo de dimensionamento para evitar danos ao equipamento.
  • Sensibilidade ao manuseio: As células de alta eficiência são mais finas. O transporte negligente ou o hábito de "pisar" nos módulos durante a instalação pode gerar microfissuras que, embora invisíveis a olho nu, serão detectadas rapidamente em uma análise de termografia ou no monitoramento de desempenho da Solarz.
  • Bifacialidade real: O fator de bifacialidade dessas tecnologias chega a 80%-90% No comissionamento de usinas de solo, a preparação do terreno (albedo) torna-se um fator crítico de performance que não existia com tanta força nos módulos P-type.

Quando cada tecnologia de módulos fotovoltaicos pode se tornar a melhor escolha comercial

Como integrador solar, você deve saber direcionar o investimento do seu cliente. Nem sempre o módulo mais caro é o ideal, mas quase sempre o mais barato sai caro no longo prazo.

  1. Projetos de Geração Distribuída remota: Aqui, o HJT reina. Como o lucro vem da energia injetada, a baixa degradação anual (cerca de 0,25% ao ano após o primeiro ano) garante uma rentabilidade acumulada muito maior em 25 anos.
  2. Residências com telhados complexos: O TOPCon é ideal. Sua eficiência por área permite atingir a meta de geração do cliente usando menos módulos, o que reduz custos de estrutura e tempo de instalação.
  3. Projetos industriais de alto calor: Em fábricas com telhas metálicas ou regiões de clima extremo, o baixo coeficiente de temperatura do N-type evita que o sistema "desligue" ou perca potência excessiva nos horários de pico de sol.

Profissionalismo comercial para acompanhar a evolução técnica

Nesta nova fase do mercado, o integrador que se limita a enviar um PDF desorganizado, contendo apenas o "preço por placa", está deixando dinheiro na mesa e perdendo credibilidade. O cliente moderno pesquisa, usa IA para comparar tecnologias e exige entender o retorno sobre o investimento de forma clara.

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